how to build a site




.::MATÉRIA DH::.


Bem, se você chegou a esta matéria, você está procurando informações de como iniciar no Downhill ou Freeride. Bem, então hoje veremos o que precisa ser feito para iniciar no Downhill e Freeride.

A ideia é ter um guia de fácil entendimento, dando uma noção básica do que é o esporte para os que estão começando agora nessas modalidades, buscando tirar o maior número possível de dúvidas antes de sair por ai saltando e soltando o freio. A ideia é evitar que você meu caro novato, conheça JESUS antes da hora, por puro "excesso" de entusiasmo.

Dito as palavras de incentivo acima vamos lá.


1 - O Que é MTB DownhillPara os "Intímos" Fica Só DH

Essa é simples!
É descer uma colina ou morro... Mas de Bike (também pode ser carinhosamente chamada de magrela, camelo, trator, caminhão...). Alguns praticantes acabam invertendo a polaridade da coisa, e começam a chamar a sua bike de nomes femininos, pegando um forte sentimento por ela... Mas isso é papo pra outra hora.

De acordo com a história, tudo começou nas montanhas Marin County, no município de Fairfax, perto da cidade de San Francisco, no estado da CalifórniaEstados Unidos em torno da décadas de 70. O local escolhido foi uma estrada que era bem acidentada, ingrime e com terra solta, perfeita para novos desafios da galera, essa estrada foi chamada de Repack Fire.


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's
Vista de Marin County


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's
Informações sobre a lendária pista Repack


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Fonte: 
MountainBikeRoots.Com Piloto: Craig Weichel in 1984 RepackFoto por: Dan Nilsen


Os pioneiros do MTB, começaram logo no Downhill. Eles descobriram que usar somente bikes no asfalto não tinha muita graça (estou olhando para vocês… ispideiros 
 ). Eles pegavam as bicicletas da marca Schwinn de asfalto que eram de aço cromo e realizavam modificações para que elas suportassem os desafios do novo terreno. Se você pensou em gambiarras, bem você estava certo. As modificações iam desde algumas alterações nos quadros, uso de pneus mais largos, indo até o uso de freios mais potentes. Detalhe, que os freios ficavam dentro do cubo, um sistema chamado de contra pedal. Como não existia uma indústria própria para isso, tudo era feito alterando as peças e quadros já existentes. Um dos detalhes que marcavam as alterações eram no sistema de freio da roda traseira que era dentro do cubo, os freios eram de contra pedal.


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Fonte: Fonte: 
MountainBikeRoots.Com Piloto: Rob Nilsen coming into finish line in 1984 RepackFoto: Dan Nilson


Segundo relatos da época, esses cubos chegavam a soltar fumaça… Tá bom, eles queimavam a graxa e soltavam muita fumaça, devido ao stress sofrido, pois não foram projetados para a velocidade que as bikes chegavam e como os freios eram dentro do cubo, superaqueciam e queimavam toda a graxa. Era preciso trocar todo o conjunto. Digamos... Que falhas ocorriam afinal, não eram projetados pra esse stress todo. Mas isso os impediu? Claro que não!


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's Piloto: Larry Cragg. Repare que os freios são semelhantes aos freios tambor de motos… E os manetes também... Eu disse que rolava gambiarras


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's Bike usada em 1978, bem diferente das de 76 – Bike por: Arne Ryason


Muitos devem ter comprado muitos terrenos nessas montanhas, mas os caras eram fissurados! Entre os praticantes, os pioneiros, temos as lendas como Gary Fischer, Tom Ritchey, Joe Breeze, Charlie Kelly & cia. Nomes conhecidos pela velha guarda.


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's
Os velhinhos ai são Lendas!!!


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's Autor: Jerry Riboli
Foto de 1977, evento organizado por Alan Bonds.
Da esquerda pra direita: Fred Wolf, Wende Cragg, Mark Lindlow, Robert Stewart, Chris Lang, James Preston, Ian Stewart, Charlie Kelly, Gary Fisher, Joe Breeze, Eric Fletcher, Craig Mitchell, John Drum, Roy Rivers, Alan Bonds.


As trilhas que eles faziam é o que chamamos hoje em dia de "flat". Eram bem planas, mas como muita areia e pedrinhas soltas. E ficou assim por muito tempo. O objetivo era a velocidade, onde vencia quem chegasse primeiro ao final da trilha.


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Fonte: 
Sonic.Net - MTB Welcome Por: Charlie Kelly's Autor: Poster art by Pete Barrett
Um dos primeiros Posters “convocando” o pessoal para as corridas


Mas com o passar do tempo, as bicicletas foram sendo alteradas para aguentarem mais impactos, começaram a surgir mais quadros, peças e equipamentos de proteção próprios, sistemas de amortecimento e freios começaram a aparecer. As pistas começaram a ganhar mais obstáculos. Nas Décadas seguintes surgiram muitas marcas que duram até hoje, como a GT, Santa Cruz, Specialized, entre outras.
Mas do ano 2000 em diante o Downhill em si passou por grandes mudanças. Começaram a aparecer novas pistas, com mais desafios que exigiam bikes mais fortes, com mais curso e claro, com pilotos mais preparados e bem equipados. Os obstáculos ficaram maiores, a indústria começou a investir pesado no desenvolvimento do esporte. Hoje, temos brinquedinhos assim:



Foto: 
Bruno Monacchesi


Foto: Sergio Chiaradia


Foto: Fernando Bordmann


Graças a esse desenvolvimento da indústria que o Downhill chegou aonde chegou nos dias de hoje, com bicicletas de ponta, suspensões e shocks a ar, carbono, suspensões de dois andares que são chamadas de Suspensões Double Crown (DC), ou de um andar Single Crown (SC), equipamentos de segurança leves e resistentes... E a tecnologia está sempre evoluindo, proporcionando a evolução do esporte.


Resumindo, o Downhill é uma descida com obstáculos cronometrada, onde vence, quem fizer o percurso em menor tempo.



Piloto: Sergio Chiaradia


Piloto: Bruno Monacchesi


Pode ser usado uma bike com quadro Full Suspension (que tem um sistema de amortecimento no quadro chamado Shock e um na frente chamado Suspensão), ou uma bike rígida (HardTail) com amortecimento só na frente (suspensão).
A suspensão usada pode ser Double Crown (DC) ou Single Crown (SC). Em quadros rígidos é preciso ver com o fabricante (tabela de geometria)se o mesmo suporta suspensão DC, e mesmo, se suporta suspensão SC com curso acima de 150mm ou mais de curso.

Muitos recomendam começar por uma rígida, pois é mais barata que uma full, e você aprende a passar por obstáculos e ter mais domínio na pilotagem.


2 - O Que é FreeridePara os "Intímos" Fica Só FR

Vimos que o Downhill é basicamente descer a montanha fazendo o menor tempo. Mas o que seria o Freeride?

O termo Freeride quer dizer "Andar Livre", isso quer dizer, que não existe um lugar exato ou um tempo exato. Pode ser na cidade, ou no meio do mato, mas sem ficar preocupado com o tempo que se leva para fazer o percurso. E o percurso, bem, você quem cria, e envolve manobras, quantas você quiser, e das mais diversas. Pode ser usado uma bike própria de Freeride, que é muito semelhante a uma de Downhill, mas podendo usar suspensões Double Crown ou Single Crown (já vimos o que era isso). Mas a ideia é não estar nem ai para o tempo que se leva para fazer a trilha.
De maneira resumia, o Freeride é o filho do Downhill. Mas incorpora muitos saltos e manobras que muitas vezes não é possível fazer no Downhill. Dentre os nomes que ajudaram a desenvolver o Freeride no mundo, com toda a certeza, posso destacar Daren Berrecloth, Cameron McCaul, Ben Boyko, Robin Bourbon, Paul Basagoitia, Kyle Strait entre outros grandes nomes.

A ideia do Freeride em si, é a diversão. Pistas de Freeride são um pouco diferente das de Downhill.
As pistas de Freeride tem mais saltos, partes muito rápidas, com partes mais técnicas, curvas mais fechadas podendo ter saltos ou não. Existem várias obstáculos e trechos nas pistas de Freeride, como pedras, raízes, cascalho solto, pontes, rampas, paredes de madeira, troncos caídos e muito mais. Muito desses elementos são encontrados no Downhill ainda hoje, mas no Freeride eles são especiais, pois você não precisa estar "preso" no fator tempo. Muitos locais de Freeride são em montanhas muito acidentadas, sempre com belas paisagens, como no Downhill.


Piloto: Gustavo Zanesco

As bicicletas podem ser hardtail ou full, usando ou não suspensões Double Crown ou Single Crown. Mas a preferência é usar Single Crown, pois facilita na execução de muitas manobras, e é mais leve o que facilita nesse caso as manobras. Elas tem um pouco menos de curso que uma bike de Downhill. Uma bike de downhill geralmente tem 180mm pra cima de curso, uma de Freeride fica entre 130-170mm . Mas dependendo do tipo de pista, é necessário usar suspensões Double Crown. 





Fotos: Pedro Marcatti
Bike de Freeride com suspensão single crown


Foto:Pedro Marcatti 
Bike de Freeride com suspensão double crown


Existia uma modalidade em especial de Freeride, que era chamada de "Suicide Freeride", creio que o nome não precisa de tradução 
 . Eram usadas bicicletas reforçadas com suspensões de 300mm DC (uma suspensão comum DC de hoje, tem por volta de 200mm), e shock com muuuiiittoooo curso. Bem, a pista... Qualquer penhasco servia  . Nem precisa dizer que quando a coisa dava errado... Dava mmmmuuuuiiiiiitttooooo errado mesmo.  


3 - Que Equipamentos de Proteção Devo Usar?

O uso de equipamentos de proteção, são essenciais nesse esporte. Sem eles, as chances de você conhecer JESUS mais cedo, são bem grandes.
Caso você tenha planos de marcar uma hora pessoalmente com JESUS, pule essa parte, mas eu recomendo que leia, pois nem eu, nem o mtbdhnos responsabilizaremos por qualquer coisa errada que venha a acontecer com você. 
 

Bem, vamos aos equipamentos:

* Capacete Full Face: É todo fechado, semelhante aos de Motocross, mas são mais leves, próprios para bikes. Procure um de tamanho ideal para sua cabeça. O tamanho ideal é não ficar tão apertado, como se você fosse uma laranja em um espremedor (sua cabela começa a doer), ou não tão largo, que pareça um chocalho de mariaté . Verifique no site do fabricante os tamanhos e as medidas que cada um oferece. Procure os que possibilitam a retirada do forro interno para lavar, pois ninguém merece mau cheiro. 
 

* Protetor cervical. É o mesmo esquema do usado no Motocross, proteger a sua coluna caso invente de ver se a gravidade ainda funciona... Isso é, cair igual a uma pedra. Procure o que sirva no tamanho certo para você, pois eles tem tamanhos diferentes.

* Luvas. Existem muitas luvas para serem usadas nessas modalidades. Elas precisam cobrir todos os seus dedos. Existem vários modelos, e isso fica a seu gosto. Mas recomendo, procurar luvas que protejam a parte de cima da mão e dedos, que seja acolchoada na palma. Procure luvas que possibilitem a respiração da pele e que tenham boa aderência.

* Joelheira ou Joelheira com Caneleira. Se for usar uma trilha com muitas raízes, pedras, cascalhos e não esteja tão confiante... Recomendo a usar joelheira com caneleira, pois a proteção é maior. Caso precise pedalar mais, ou já não se acostumou com a joelheira com caneleira, recomendo só a joelheira. Leve suas habilidades em consideração e o local onde for pedalar, na hora de escolher a sua joelheira ou joelheira com caneleira.

* Cotoveleira: Bem, como o nome diz, serve para proteger os cotovelos. Existem vários modelos e tamanhos. Procure o que mais lhe agrada no tamanho certo.

* Colete: Existem muitos tipos. Existem os que só protegem uma parte das costas e do peito, ou os que protegem toda as costas. Alguns já bem com proteção nos cotovelos, se assemelham a uma camiseta, mas com proteção nas costas e cotovelos. Verifique o tamanho. Mas posso lhe garantir, que você não ficara como uma tartaruga ninja… (><).

* Sapatilha / Tênis. Existem sapatilhas e/ou tênis próprios para essas modalidades. Eles são reforçados e fáceis de limpar. Mas fica a seu critério. Dependendo do tipo de pedal usado, um tênis não serve, no caso é melhor recorrer a uma sapatilha (veremos mais a frente quando falarmos sobre o peças das bicicletas).

Esses são os equipamentos de proteção recomendados pra começar a brincar. Não posso dizer o que é opcional ou não, pois varia muito. Mas o ideal o mínimo é um capacete, protetor cervical, colete luvas, joelheira e tênis/sapatilha. 
 


4 - Com que Bike eu Começo?

Bem, essa é uma pergunta que todos que começam tem. Se você quer realmente a praticar o esporte, pode começar por uma full suspension ou rígida, nesse caso, o que vai pesar na decisão é o poder aquisitivo (bikes-quadros full suspension são muito mais caros que um rígido).
Fique atento ao tamanho de rodas que o quadro suporta, se é 26”, 27.5” ou 29”, pois não adianta nada pegar um quadro que use rodas 27.5”, se você tem rodas 29”. 

* Bike Rígida / Quadro Rígido:

Vamos falar primeiro das rígidas ou hardtail. Muitos as consideram como escola de aprendizagem. Mas aprender o que? 
Simples! A pilotar a bike de maneira certa. Apesar de parecer que basta subir na bike e descer uma montanha, não é tão simples assim, pois é necessário ter técnicas de pilotagem, como flexionar os joelhos na hora certa ao passar por um obstáculo, puxar a bike para um lado ou para cima, relaxar os braços no momento certo.. Enfim, a lista é grande, mas não é o assunto principal por agora. Será abordado em outros tópicos em breve.

Bem com uma bike rígida você aprende a dominar muitas técnicas que são fundamentais para usar uma full (como não virar um pedaço de pau em cima da bike, deixando o shock e a suspa fazerem todo o trabalho por você, seu mecânico agradece 
) para garantir um role seguro e divertido, sentindo a pista com os seus obstáculos.

Lembrando que uma bike rígida (ou quadro rígido) são mais baratos que um full suspension, e se grana for o problema, não esquente a cabeça. Existem muitos bons quadros rígidos para se praticar Downhill ou Freeride, que possibilitam configurações com suspensões double crown ou single crown com bastante curso. Caso tenha dúvidas sobre isso, crie um post no fórum para que a galera possa lhe ajudar.


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Foto: NS Bikes ©
NS Surge Evo - Freeride


Dito os benefícios de se usar uma rígida, mas por que recebe esse nome?
Note que na imagem acima, você vê que o quadro tem todos os seus tubos soldados um no outro, sem um ponto de articulação. Isso caracteriza um quadro rígido, como o próprio nome sugere.

* Bikes Full Suspension / Quadros Full Suspension:

As bikes full suspension ou quadros full suspension possibilitam que o piloto tenha mais controle do que em uma bike rígida (dependendo do terreno). Esse controle “extra” vem graças a geometria que os quadros dessas bikes possuem. Essas bikes usam quadros que possibilitam o uso de cubos e movimentos centrais mais largos. 
São um pouco mais comprida que as rígidas (onesse caso, o tamanho maior gera mais estabilidade), os quadros são divididos em duas partes, a parte da frente é o triângulo dianteiro e a parte de trás é o triângulo traseiro.
Ambas as partes são ligadas por um ou mais links (peça que liga o shock ao quadro). O Shock (é o amortecedor no meio do quadro) tem a função de amortecer a parte de trás do quadro. Repare que o quadro tem partes que se movimentam, tanto os links, quanto outras partes. Esses pontos de movimento são importantes, pois são os pontos de articulação no quadro e integram o seu sistema de amortecimento. Esses pontos de articulação no quadro são chamados de pivôs.



Foto: Bruno Monacchesi
Repare nos dois triângulos, shock, os links e os pontos de articulação no quadro, que são os pivôs


Foto: Bruno Monacchesi
Aqui o quadro montado, onde é possível ver todos os elementos que o compõem


Os pivôs em quadros de boa qualidade, são compostos por rolamentos que garantem maior precisão. O sistema de amortecimento é o que vai fazer o shock trabalhar corretamente. Existem vários tipos de sistemas de amortecimento com base na posição dos pivôs e links no quadro. veremos sobre eles em outro post separado, pois é um assunto bem amplo, as vezes causa boas discussões 
 .



Foto: Bruno Monacchesi
Pivôs, link, shocks são o coração de um quadro full suspesion


Foto: Bruno Monacchesi
Detalhe do shock, pivôs e links montados


Bem, acima foi dado uma explicação rápida sobre o link. Repare na pecinha articulada que faz a “união” do shock ao quadro. Na foto acima. Ela quem é o link. O papel dela é ajudar a passar para shock as informações de leitura que o triânguloe a roda traseira fazem do terreno, “dizendo” para o shock:

Ei! Passei sobre uma pedra, um buraco, raíz… O pouso foi mal… O pouso foi bom (após um salto), vê o que você pode fazer para amenizar isso.
A grosso modo, é assim que a coisa funciona. Ai, dependo do tipo de shock, funcionamento e suas regulagens. 
 

Falando em shocks, bem , existem os shocks que usam mola que acabam sendo os mais comuns no Donwhill e Freeride, pois a mola auxilia na dispersão de energia que o quadro sofre, porém, são um pouco pesados se comparados com os shocks somente a ar. A mola precisa ser compatível com o peso do piloto e sua medida de “resistência” é calculada em libras, se o piloto for muito pesado e tiver uma mola indicada para um piloto leve, o shock vai dar final de curso ao passar em qualquer pedra. Se o piloto for muito leve e o shock tiver uma mola para uma pessoa pesada, é capaz que o shock nem trabalhe. Por isso é sempre bom verificar nas regulagens e configurações do shock a melhor mola para o seu peso, e isso você acha no site do fabricante.


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Foto: 
XFusion ®
X Fusion Vector Coil HLR. Exemplo de shock a mola. O “tubo extra” é a câmara que regula a pressão que auxilia no funcionamento


Os shocks a ar não tem mola para ajudar, tudo é feito com base na quantidade do ar que fica em seu interior, dentro da câmara de ar . Esses shocks a ar são muito mais leves que um de mola. Ao contrário de um shock de mola, onde a mola auxilia no seu funcionamento, nos shocks a ar, tudo é feito pelas regulagens e câmaras de ar.


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Foto: 
XFusion ®
X Fusion Vector Air HLR. Exemplo de shock a ar


Existe ainda o fator curso do quadro e curso da roda. São diferentes, pois o curso do quadro é o limite máximo e mínimo que o quadro pode trabalhar, levando em conta o comprimento do shock que é medido de um furo ao outro (os furos que prendem o shock no link e no quadro) , o que muitas vezes, é diferente do curso do shock, que é o limite máximo e mínimo que o shock trabalha.
Por exemplo, uma bike tem curso de 180mm no quadro, mas usa um shock de 222mm de comprimento e com um curso inferior á 180mm.

Por demandar muito trabalho e custos para ser criado, os quadros full suspension são mais caros, mas acabam compensando o seu investimento, pois são vários elementos levados em conta.


5 - Com que Suspensão eu Começo?

Bem, pode usar tanto uma Double Crown quanto uma Single Crown. Vai depender do estilo de pilotagem, se o quadro suporta uma dessas suspensões, se pretende fazer muitas manobras ou não.

Suspensões double crown geralmente tem entre 180 á 200mm de curso. São mais compridas e pesadas se comparadas com as single crown. Porém, elas aguentam mais pancadas, e possibilitam manobras. Fique atento ao tamanho do disco de freio máximo que a suspensão suporta.
Podem ter o funcionamento a ar, mola ou óleo… Podem ser ar-mola, ar-óleo, mola-óleo, mola-graxa…

É preciso deixar claro, que dependendo do modelo e do tipo de fabricante, é preciso um tipo diferente de mesa para usar o guidão, que recebe o nome de integrada, pois fica presa direto na suspensão. Fique atento também no tamanho do disco de freio que é indicado para usar com a suspensão escolhida. No geral, fica entre 180mm á 203mm, e em muitos caso preste atenção ao tipo de adaptador de disco usado. Sempre consulte o site do fabricante.

Suspensões single crown ficam com o curso máximo de 180mm. Aguentam bem pancadas, mas se dependendo da situação não são indicadas, pois podem torcer, por ter um único crown, mas não é fácil, mas pode acontecer se você pular um despenhadeiro no estilo Suicide Freeride. A possibilidade de manobras com essas suspensões é bem grande. São mais leves do que as double crown. Como as double crown, seu funcionamento pode ser a ar, mola ou óleo… Podem ser ar-mola, ar-óleo, mola-óleo, mola-graxa… Podendo ter o mesmo sistema e tecnologia de uma double crown, mas em uma versão reduzida.

Existem tamanhos variados de eixos, mas os mais comuns para DH e FR são os de eixo de 20mm. Hoje em dia surgiu o padrão “Bost”, que deixa os cubos dianteiros com 110mm de comprimento, criando mais estabilidade e resistência em todo o conjunto. É preciso deixar claro, que existem suspensões tanto DC quanto SC para aro 26”, 27.5” e 29”. Verifique na tabela de geometria do quadro escolhido qual é o tamanho de roda que ele usa, e só então, compre uma suspensão compatível com o quadro e com as rodas que se queira usar.


6 - Tamanho das Rodas, Cubos e Aros?

Bem hoje em dia, existem 3 tamanhos de rodas próprias para, são a aro 26”, 27.5” e 29” (em fase de testes essa última). Muitas empresas estão deixando de lançar quadros com rodas do tamanho de 26”, estão usando mais 27.5” ou se preparando para as 29”. Mas ainda, existem boas ofertas de produtos aro 26”. A furação vai de gosto, podendo ser 36, 32 ou 28 raios por aro. E claro, os cubos tem que ter a mesma furação dos aros.

Os cubos dianteiros dependem do tipo de suspensão. É recomendado o uso de cubos dianteiro com 20mm. Já os cubos traseiros, variam de acordo com o quadro, podendo ser 10x135mm (10mm de diâmetro x 135mm de comprimento) muito usado em bicicletas rígidas. Bikes full costuma usar o padrão 12x150. Existem outros tamanhos, como 12x135mm, 12x148….

Os cubos traseiros podem ser para 8, 9 e 10 velocidades. Isso quer dizer que o sistema de marchas que ele suporta varia entre as velocidades descritas.

Os aros precisam ser compatíveis com a furação dos cubos. São indicados aros reforçados e com parede dupla para a prática de DH e FR. Os fabricantes criam produtos próprios para a prática dessas modalidades. 


7 - Relação de Marchas (Passador, Cassete, Corrente, Câmbio)?

O tipo de marchas usadas nessas bicicletas possuem apenas um câmbio, o traseiro. Ele é curto para evitar que balance muito quando se pula ou passe por uma área muito acidentada. 
O passador é usado somente o traseiro. Em grupos de marchas próprio para DH e FR, só vem um passador que é o traseiro. Ele que controla as marchas que vão ser usadas pelo câmbio, e pode variar de 7v até 10v.
O cassete (K7) que é o grupo de coroas pequenas (cogs) que o formam podem variar de 7v até 10v.
A corrente é compatível com as velocidades escolhidas, e o mesmo vale para o passador de marchas, que é somente o traseiro.
Muitos câmbios traseiros hoje, possuem regulagens que os deixam travados, dificultando que balancem muito, evitando que batam nos raios das rodas em movimento e as travem, danificando todo o equipamento, e até, causando um acidente sério. Eles tem que ser compatíveis com o passador, corrente e cassete.


8 - Pedivela, Movimento Central, Coroa, Guia de Corrente e Pedais?

O pedivela precisa ser mais reforçado. Existem produtos próprios para essas modalidades. Mas os detalhes estão no uso de só uma coroa, no tamanho dessa coroa, seu comprimento e se são integrados ou não. Procure pedivelas mais curtos caso a sua bike seja um pouco baixa, ou a pista tenha muitas pedras e raízes.
Os pedivela integrados tem o eixo preso a um dos lados, o movimento utilizado permite a passagem desse eixo pelo seu interior. Os pedivelas comuns não tem eixo integrado, o eixo fica no próprio movimento central.

Os movimentos centrais, como dito acima, podem ser para pedivelas integrados ou não. Existem os de padrão de rosca, que são chamados de Euro. Existem padrões de encaixe que determinadas marcas lançaram, mas tenha em mente, que muitos fabricantes de quadros fecham parcerias com determinada marca de peças, e os padrões de encaixe, são diferentes entre as empresas. Preste muita atenção se for optar por um quadro que use padrão de encaixe do movimento central, pois, dependendo, você precisará de um adaptador para poder usar o seu pedivela.

As coroas podem ser de 36 dentes ou mais, depende muito da quantidade de marchas que você está usando. Geralmente é necessário o uso de um suporte (guia de corrente) que fica entre preso no quadro e fica sobre a coroa, permitindo que a corrente passe e não caia para os lados. Mas existem coroas que dispensam o uso de guias. Essas coroas tem dentes de tamanho e espessura diferentes, que seguram a corrente, evitando que ela escape. 

Mas caso não tenha confiança ainda, pode optar em usar guias de correntes. Existem 3 padrões. As que ficam presas direto no movimento de central dos quadros de rosca, as do padrão ISCG03 e ISCG05. Esses dois últimos modelos o que manda é a furação do suporte de fixação das guias, onde o ISCG03 usa uma distância “x” entre seus furos e o padrão ISCG05 usa o padrão “y” de furação. Fique atento ao comprar um quadro, e consulte a tabela de geometria do mesmo para saber qual o tipo de guia comprar depois.

Os pedais existem de dois padrões, os que usam um encaixe chamado clip onde fica preso na sapatilha, e o flat que não tem encaixe, mas cravos. Existem muita polêmica no uso desses dois tipos, pois cada piloto tem seus gostos. Aconselho a descobrir qual é o melhor, lembrando que tanto os pedais de clip, quanto os flats, precisam de um calçado próprio para serem usados, pois, não adianta muito comprar um pedal clip se vai usar ele com uma bota de escalada, ou um pedal flat com uma chuteira de futebol, em ambos os casos, nada vai ficar bom.
Por isso reforço, que seja verificado o que melhor se adapta a você e seu estilo de pilotagem.


9 – Mesa, Guidão e Manoplas

Chegamos em uma parte bem legal.
Se você escolheu pedalar com uma suspensão DC, claro que vai precisar de uma mesa Integrada, mas se optou em em usar uma suspensão SC vai de mesa comum mesmo.

As mesas integradas são projetadas para ficarem presas direto na parte de cima das suspensões double crown. O aperto pode ser por dois ou quatro parafusos. Existem certas variações em cada mesa que precisam ser levadas em conta na hora da aquisição, como peso, resistência e ângulos de inclinação.

Já as mesas comuns, são usadas em suspensões single crown. Dependendo do tipo de uso, existem mesas de 35mm até 60mm de comprimento, com o diâmetro dos guidões variando de 25.4mm até 31.0mm. Porém existe com tamanhos maiores, fica a seu critério. Essas mesas tem ângulos de inclinação variado, e o seu peso também varia, assim como a qualidade.

Os guidões precisam ser compatíveis com a mesa escolhida. Existem guidões de 710mm até 800mm de comprimento, com curvatura pra cima (elevação pra cima) e elevação pra trás que varia de 0º até 40º. Se você escolher uma mesa com inclinação perto de 0º (baixa) procure usar um guidão com elevação pra cima acima de 10º por exemplo, e vice-versa. 
O comprimento do guidão é importante, pois quanto maior, mais estabilidade você terá, mas se você tiber baixa estatura, procure um guidão ideal para o seu tamanho, algo que não lhe deixe com os braços muito abertos, evitando cansar rápido.
Procure sempre guidões próprios para as modalidades que se queira praticar, isso evita acidentes.

As manoplas geralmente são feitas de borracha resistente, com uma textura que facilite a fixação das mãos com ou sem luvas. Elas possuem fixação por aperto nas pontas, através de um anel com parafuso.
Existem manoplas para todos os gostos e bolsos, e fica a critério de cada um. Só tomem cuidado com produtos de péssima qualidade, que podem trazer mais tristezas do que alegrias.


10 – Pneus

Cada quadro tem um tamanho máximo de pneus suportado. Então, já sabe que é preciso verificar a geometria do quadro escolhido para verificar essas informações. Fatores como tamanho, tipo de terreno, construção e espessura são alguns dos itens que precisam ser verificados na compra dos pneus.

Existem pneus próprios para trilhas com raízes e pedras, terreno seco, terreno úmido ou para chuva, enfim, a infinidade é grande, pois atende a qualquer tipo de terreno.

É preciso ressaltar que existem pneus com a construção com arame que são mais pesados e mais baratos. Os que não usam arame, como os que usam kevlar (tecido especial) são mais leves e caros. Leve isso em consideração.


11 – Freios e Discos

Os freios… Umas das peças mais importantes em uma bike, pois ele controla a velocidade e nos ajuda a parar. Porém, para o DH e FR não serve qualquer freio. Os freios para essas modalidades costuma ser potentes, bem potentes. Geralmente contam com 2, 4 ou até mesmo 6 pistões. Os melhores são os freios hidráulicos, pois garantem um poder de frenagem incrível, com apenas um único dedo. Existe excelentes opções para todos os gostos e bolsos. 
Fique atento ao padrão da furação para instalação dos adaptadores dos freios, pois existem quadros e suspensões que os adaptadores usam o padrão de aperto pela lateral, outros por cima.

Os discos, também são chamados de rotor. Precisam ser compatíveis com o quadro e suspensão escolhidos. Existem suspensões tanto single quanto double e quadros que permitem o uso de discos de freios de 203mm ou mais. Isso não quer dizer que você possa usar um disco pequeno (menor que 203mm em uma suspensão), pois dependendo da suspensão, fica inviável a adaptação. Sempre procure saber qual é o tamanho de disco máximo e mínimo usado nas suspensão e quadro escolhida.


Depois de tudo isso, bem...
É soltar o freio e ser feliz 
 



Foto: Anauê Rodrigues - Espanha



Foto: Anauê Rodrigues - Espanha


Bem é isso ai!
Caso tenham alguma dúvida, não pensem duas vezes, crie um tópico no fórum que a galera vai lhe ajudar. Caso tenham correções ou informações, postem ai, para que as correções sejam realizadas e informações extras sejam adicionadas.

Referências:

http://www.sonic.net/%7Eckelly/Seekay/mtbwelcome.htm
http://mountainbikeroots.com/events/repack.php

* P.S: Agradeço a todos que cederam as fotos para compor esse artigo, esse artigo não teria a menor graça se não fosse por vocês.